Joshua Van e Alexandre Pantoja vão defrontar-se pela segunda vez a 19 de setembro de 2026, quando o título dos pesos-mosca do UFC estará em disputa no combate principal do UFC 331, na Crypto.com Arena, em Los Angeles. O primeiro encontro teve um vencedor oficial, mas praticamente não deu as respostas que normalmente se esperam de um combate pelo título. Van conquistou o cinturão no UFC 323, em dezembro de 2025, depois de Pantoja sofrer uma lesão no cotovelo apenas 26 segundos após o início do primeiro assalto. Nove meses depois, o cenário é muito diferente. Van já defendeu o título num exigente combate de cinco assaltos, Pantoja completou a recuperação e a rivalidade, anteriormente marcada pelo respeito, tornou-se visivelmente mais tensa. Por isso, a desforra não é simplesmente uma repetição de um combate interrompido por lesão. É um confronto entre um campeão que consolidou a sua posição e um antigo campeão que pretende provar que o desfecho invulgar do primeiro duelo interrompeu, mas não encerrou, o seu período no topo da divisão.
O registo oficial é simples: Joshua Van derrotou Alexandre Pantoja por TKO devido a lesão aos 26 segundos do primeiro assalto no UFC 323, a 6 de dezembro de 2025. Pantoja entrou nesse combate como campeão em título dos pesos-mosca, enquanto Van chegava como um dos candidatos em maior ascensão na divisão. O combate praticamente ainda não tinha começado quando Pantoja tentou um pontapé alto, Van agarrou-lhe a perna enquanto o brasileiro perdia o equilíbrio e Pantoja tentou apoiar-se durante a queda. Nesse movimento, lesionou o cotovelo e percebeu imediatamente que não podia continuar. Van tornou-se campeão, mas nenhum dos dois teve tempo suficiente para impor o seu ritmo ou demonstrar como o confronto poderia desenvolver-se ao longo de vários assaltos.
Essa diferença continua a ser importante antes do UFC 331. Van não venceu por uma decisão polémica dos juízes e o resultado continua legitimamente registado como uma vitória por TKO, mas as circunstâncias tornam difícil utilizar o primeiro encontro como prova de como os dois se comparam num combate normal pelo título. Não houve uma troca prolongada de golpes, uma sequência consistente de luta no chão, um período significativo junto à grade nem um verdadeiro teste de resistência. Até os primeiros segundos oferecem uma amostra muito limitada. Pantoja mostrou disponibilidade para atacar imediatamente, enquanto Van reagiu com rapidez suficiente ao pontapé para contribuir para a sequência que terminou o combate, mas 26 segundos não permitem responder às questões mais amplas sobre a compatibilidade dos seus estilos.
Os papéis também se inverteram. Em dezembro de 2025, Pantoja era o campeão estabelecido e Van tentava ocupar o seu lugar. Em setembro de 2026, Van entra no UFC 331 com o cinturão, enquanto Pantoja precisa de recuperar algo que manteve durante mais de dois anos. Isso cria um tipo de pressão diferente para ambos. Van precisa agora de mostrar que a primeira vitória não foi apenas consequência de uma lesão infeliz, enquanto Pantoja terá de provar que o seu anterior reinado pode ser retomado após uma longa recuperação. O desfecho invulgar do primeiro combate acrescenta, assim, uma dimensão extra à desforra: nenhum dos dois pode usar o encontro anterior como prova definitiva de superioridade.
O desenvolvimento mais importante desde o UFC 323 foi aquilo que Joshua Van conseguiu na sua primeira defesa do título. Enfrentou Tatsuro Taira no UFC 328, a 9 de maio de 2026, e foi obrigado a passar por um teste muito mais exigente do que aquele que o tornou campeão. Taira derrubou Van várias vezes na fase inicial do combate e controlou longos períodos dos primeiros assaltos. Van não entrou em pânico quando o duelo começou a correr contra ele. Continuou a trabalhar para voltar à posição de pé, encontrou oportunidades com o boxe à medida que o combate avançava e abalou Taira no final do segundo assalto, antes de assumir maior controlo no terceiro. O combate pelo título chegou ao quinto assalto, quando Van venceu Taira por golpes aos 1:32.
Essa atuação mudou a forma como Van pode ser avaliado antes de voltar a enfrentar Pantoja. Quando recebeu o cinturão pela primeira vez, nunca tinha disputado um combate completo de campeonato no UFC. Frente a Taira, teve de lidar com períodos prolongados no chão, mudanças de domínio ao longo da luta e as exigências físicas de competir para além dos três assaltos. Também demonstrou que perder as fases iniciais não o obriga a abandonar a sua abordagem. A sua capacidade para continuar competitivo depois de trocas difíceis no grappling e aumentar a eficácia nas fases mais avançadas é particularmente relevante contra Pantoja, cujo melhor trabalho surge frequentemente quando consegue transformar o combate numa disputa física a curta distância.
Van chega ao UFC 331 com um registo profissional de 17 vitórias e duas derrotas, incluindo nove triunfos por KO ou TKO. Aos 24 anos, continua a ser invulgarmente jovem para um campeão consolidado do UFC, mas a sequência recente de combates acelerou o seu desenvolvimento. Antes de conquistar o título, derrotou Brandon Royval por decisão unânime no UFC 317, e a vitória sobre Taira deu-lhe depois algo que o primeiro combate com Pantoja não podia oferecer: provas de que consegue resolver problemas durante uma luta longa pelo título. Isso não elimina o perigo representado pelo antigo campeão, mas significa que a versão de Van que se prepara para a desforra tem significativamente mais experiência em combates de campeonato do que aquela que entrou no UFC 323.
Para Alexandre Pantoja, os meses entre os dois combates foram definidos sobretudo pela recuperação. A lesão no cotovelo terminou o seu reinado em poucos segundos e manteve-o afastado da competição enquanto Van avançava com a divisão. Em julho de 2026, Pantoja afirmou estar saudável e pronto para voltar a competir. Também revelou ter feito alterações na sua preparação, incluindo maior atenção à alimentação, ao sono e às pessoas envolvidas nos seus treinos. Esses detalhes são relevantes porque o UFC 331 será o seu primeiro combate oficial desde a lesão. Os treinos podem demonstrar que o braço voltou a funcionar normalmente, mas um combate de cinco assaltos pelo título será o verdadeiro teste à forma como conseguirá utilizá-lo sob pressão.
Ainda assim, Pantoja regressa com um nível de experiência em combates de campeonato que Van ainda não acumulou. Antes de perder para Van, o brasileiro tinha defendido com sucesso o título dos pesos-mosca do UFC por quatro vezes, derrotando Brandon Royval, Steve Erceg, Kai Asakura e Kai Kara-France. O seu registo profissional é de 30 vitórias e seis derrotas, com 12 triunfos por submissão e oito por KO ou TKO. Os registos do UFC também o colocam entre os pesos-mosca mais bem-sucedidos da história da organização, incluindo marcas relevantes em vitórias, finalizações e submissões na divisão. O seu anterior reinado foi construído ao longo de vários anos e não através de uma sequência curta de resultados favoráveis.
A diferença mais evidente está na idade. Pantoja tem 36 anos, enquanto Van tem 24, o que representa uma diferença de 12 anos entre desafiante e campeão. Seria demasiado simples, no entanto, tratar essa diferença como prova de que o lutador mais jovem possui automaticamente vantagem. Pantoja encontrava-se numa série de oito vitórias consecutivas antes da derrota por lesão, e as quatro defesas seguidas do título mostraram que conseguia preparar-se repetidamente para adversários de elite com características diferentes. A maior incerteza está na inatividade. Van disputou um intenso combate de cinco assaltos durante a ausência de Pantoja, enquanto o brasileiro passou grande parte do mesmo período em recuperação. O UFC 331 mostrará se essa pausa o deixou mais recuperado ou se a falta de competição terá influência após nove meses sem completar um combate.
Em termos gerais, os pontos fortes de ambos continuam relativamente fáceis de distinguir sem reduzir qualquer um dos lutadores a uma única característica. Van sente-se mais confortável quando pode construir combinações com as mãos, manter um ritmo constante de golpes e obrigar o adversário a reagir continuamente à medida que o assalto avança. Pantoja também possui striking perigoso, mas a sua principal ameaça está na capacidade de ligar as trocas em pé ao clinch, às quedas e às tentativas de submissão. Soma 12 vitórias por submissão no MMA profissional e demonstrou repetidamente que permitir-lhe conquistar uma posição dominante no chão pode transformar um assalto equilibrado num problema defensivo imediato.
O combate de Van contra Taira tornou a componente de grappling desta desforra ainda mais interessante. Taira teve bastante sucesso inicial ao derrubar o campeão, mas Van encontrou repetidamente formas de voltar à posição de pé e manteve-se perigoso depois desses períodos difíceis. Isso não significa que o sucesso contra Taira se transfira automaticamente para um combate contra Pantoja. Os seus estilos de grappling não são idênticos e Pantoja traz consigo anos de experiência contra adversários de nível de campeonato. O que Van provou em maio foi que ser derrubado não significa necessariamente ficar fora do combate. Por isso, Pantoja poderá precisar de mais do que quedas isoladas; manter o campeão em posições desfavoráveis e tornar essas sequências fisicamente dispendiosas pode ser muito mais importante.
Pantoja também tem motivos para não encarar o combate como um simples regresso à sua fórmula habitual. Van já mostrou que consegue manter a calma durante assaltos difíceis e ainda assim encontrar uma finalização tardia. Permitir que o campeão encontre um ritmo confortável no striking pode tornar-se cada vez mais perigoso à medida que o combate avança. Ao mesmo tempo, Van não pode presumir que defender os ataques de Taira significa que poderá aceitar tranquilamente longas trocas de grappling com Pantoja. O primeiro encontro não colocou nenhuma destas questões à prova. A segunda luta deverá ser decidida pela capacidade de cada um impor o tipo de combate que prefere sem permitir ao adversário estabelecer um ritmo consistente.

O UFC 331 realiza-se no sábado, 19 de setembro de 2026, na Crypto.com Arena, em Los Angeles, com Van contra Pantoja 2 programado como combate principal pelo título dos pesos-mosca. A própria posição do duelo no evento mostra o quanto mudou desde o primeiro encontro, que surgiu abaixo do combate principal no UFC 323. Van é agora apresentado como campeão da divisão, e não como um desafiante em ascensão, enquanto Pantoja regressa como candidato número um ao título que procura recuperar. Um combate que inicialmente representava a tentativa de Van de alterar a hierarquia estabelecida tornou-se agora uma disputa para perceber se essa mudança é definitiva.
A diferença de idade também dá ao combate uma importância mais ampla. Van pertence a uma geração mais jovem de pesos-mosca que avançou rapidamente até ao topo da divisão, e a defesa contra Taira, de 26 anos, reforçou essa transição. Uma segunda vitória sobre Pantoja fortaleceria a ideia de que o cenário do título entrou realmente numa nova fase. Também daria a Van duas defesas bem-sucedidas no seu primeiro ano como campeão e eliminaria grande parte da incerteza criada pela natureza acidental do primeiro combate. Nesse caso, deixaria de ser avaliado principalmente pela vitória de 26 segundos no UFC 323, porque teria derrotado novamente o antigo campeão num contexto completamente diferente.
Uma vitória de Pantoja criaria uma narrativa distinta. O brasileiro tenta tornar-se apenas o terceiro lutador da história dos pesos-mosca do UFC a recuperar o título depois de o perder, seguindo Brandon Moreno e Deiveson Figueiredo. Recuperar o cinturão aos 36 anos, depois de uma ausência motivada por lesão, também prolongaria um período em que Pantoja tem estado ligado aos combates mais importantes da divisão durante vários anos. Mais importante ainda, mostraria que a mudança de campeão em dezembro não marcou o fim da sua capacidade para competir ao mais alto nível. O resultado terá, portanto, impacto para além desta rivalidade: ajudará a determinar se a divisão continua a avançar para uma nova fase liderada por um campeão mais jovem ou regressa às mãos de um dos campeões mais bem-sucedidos dos últimos anos.
Para Van, o principal desafio será combinar a confiança adquirida contra Taira com a disciplina necessária diante de um antigo campeão muito mais experiente. A sua primeira defesa do título mostrou que consegue recuperar de posições complicadas, mas permitir repetidamente que Pantoja estabeleça controlo continuaria a ser perigoso. Van apresenta a sua melhor versão quando dispõe de espaço suficiente para trabalhar de forma consistente, aumentar o volume ofensivo e obrigar o adversário a reagir às suas combinações. Quanto mais tempo conseguir manter o combate em áreas onde se sente confortável, mais oportunidades deverá ter para utilizar a velocidade, o timing e a persistência nos assaltos finais que se tornaram elementos importantes da sua ascensão.
Para Pantoja, a condição física depois da lesão no cotovelo é apenas uma parte da questão. A capacidade para recuperar a pressão que marcou o seu período como campeão poderá ser igualmente importante. O brasileiro afirmou que a sua preparação está agora mais organizada, com maior atenção à recuperação, à alimentação e ao sono. O UFC 331 mostrará de que forma essas mudanças se refletem na competição. O desafiante não precisa de provar que a primeira lesão foi um acontecimento excecional; isso já ficou claro pela forma como o combate terminou. Precisa, sim, de demonstrar que, depois da recuperação, consegue voltar a competir ao nível que lhe permitiu realizar quatro defesas consecutivas do título.
O ambiente em torno da desforra também mudou. A preparação para o primeiro combate foi relativamente respeitosa, enquanto a conferência de imprensa do UFC 331, em agosto, tornou-se suficientemente tensa para que os lutadores tivessem de ser separados durante uma troca de palavras. Essa tensão acrescenta emoção ao confronto, mas o combate continuará a ser decidido pelas escolhas feitas dentro do octógono, e não pelas declarações anteriores. Van chega como um campeão que já conquistou uma vitória completa pelo título em condições difíceis. Pantoja regressa saudável, experiente e determinado a recuperar o cinturão que perdeu devido a uma lesão. Como o primeiro encontro durou apenas 26 segundos, o UFC 331 oferece, na prática, a primeira oportunidade prolongada para perceber qual dos dois está mais bem preparado para liderar a divisão dos pesos-mosca em 2026.